Publicado por: Eliania Silva | quinta-feira dezembro 6, 2012

UNIDADE DE TERAPIA INTENSIVA NEONATAL – Qual o papel da terapia ocupacional nesse ambiente?

A Unidade de Terapia Intensiva Neonatal (UTIN) é um dos ambientes mais impactantes e emocionalmente estressantes dentro de um hospital, seja para o profissional seja para os pais de recém-nascidos (RN) que necessitam de terapia intensiva¹.

Dos profissionais que atuam na UTIN está o terapeuta ocupacional, de acordo com a resolução n° 7, de 24 de fevereiro de 2010, sua presença passa a ser obrigatória nas UTIs.2

Esse profissional atua na área da saúde e sociais, tem como objetivo melhorar o desempenho, ampliar a autonomia da pessoa, superar déficit ou traumas e garantir a inserção na comunidade.3

Para atuar dento de uma UTIN são necessários conhecimentos e ações específicas do profissional de saúde por lidar com situações às vezes limítrofes entre vida e morte, além de mobilizar constantemente a capacidade de estar, construtivamente, em equipe de caráter interdisciplinar. 1

O terapeuta ocupacional dentro da UTIN deve ter conhecimento sobre o Modelo Síncrono Ativo de Heidelise Als, estados comportamentais de Brazelton, indicadores comportamentais de estresse e de estabilidade, entre outros. Conhecimentos que vão ajuda-lo a compreender o que o RN está sentindo, como está interagindo, respondendo aos estímulos, quando iniciar , mudar ou continuar com sua atuação.

Algumas das intervenções que o terapeuta ocupacional pode desenvolver na UTIN:

  • Avaliação do desenvolvimento neuropsicomotor;
  • Avaliação da necessidade do uso de órtese;
  • Confecção de órtese de membros superiores e inferiores;
  • Orientação quanto ao posicionamento e trocas posturais;
  • Avaliar a necessidade de adequação ambiental: rever o desing da UTIN (localização do berço ou incubadora), reduzir sons e alarmes, campainhas de telefones, usar iluminação individual; humanização do ambiente (falar baixo, trabalhar em equipe durante procedimentos dolorosos de forma que o RN sofra o mínimo de estresse) medidas ambientais que facilitem para o RN a diferenciação entre dia e noite; 1,4
  • Contenção facilitadora (evita estresse agudo ou prolongado, aversão tátil e até mesmo a dor, é feita como o bebê e não no bebê);
  • Enrolamento (acalma o bebê, diminui sofrimento induzido pela dor…);
  • Redinha (estimulação vestibular e organização psicomotora);
  • Ofuroterapia (relaxamento global, melhora função intestinal e o sono…);
  • Shantala (promove organização, melhora o sono, dentre outros);
  •  Ninho (promove limite corporal, evita hiperextensão e retração das cinturas escapulares);

Tais técnicas devem ser desenvolvidas por profissional qualificado, pois tem contra indicação e quando usado de forma inapropriada pode causar danos ao bebê.

 O enrolamento, por exemplo, não deve ser usado em neonatos com risco de luxação do quadril, pois pode haver possibilidade de aquecimento excessivo e deve ser firme o suficiente para não permitir o deslocamento do tecido usado, a fim de evitar o risco de sufocamento4.

 Pode ser desenvolvido também atendimento com os familiares e com os profissionais:

  • Atividades com os pais: oficinas, orientações,esclarecimento de dúvidas.Os pais não podem ser esquecidos nem deixados de lado.
  • Atividades com os profissionais: dinâmicas, oficinas,atividade funcional…para aliviar o estresse, promover trabalho em grupo, relaxamento, entre outros

 O terapeuta ocupacional não só avalia o quadro clínico como também o potencial sadio e promove o tratamento, visando a:

  • Inibição de padrão patológico,
  • liberação de padrões posturais de movimento e reações normais,
  • Estimulação do desenvolvimento senso-perceto-cognitivo,
  • Avaliação e conduta sempre baseada na sequência neuroevolutiva ontogenética;

Após a alta da UTIN, a criança deverá continuar o acompanhamento com a equipe de saúde incluindo o terapeuta ocupacional com o objetivo de tirar dúvidas, receber orientações quanto ao manuseio, o desenvolvimento e crescimento do bebê e prevenir o desenvolvimento de padrões patológicos.

Autora: Eliania Pereira da Silva

 

Referências:

1. Monteiro R. C. Terapia Ocupacional Fundamentação e Prática: Neonatologia;Guanabara Koogan, RJ, 2007.

  1. http://terapiaocupacionalbh.blogspot.com.br
  2. Soares, L.B.T. Terapia Ocupacional Fundamentação e Prática: História da Terapia Ocupacional; Guanabara Koogan, RJ, 2007.
  3. Lanzelotte, Viviane. Manual de Atenção Integral ao Desenvolvimento e Reabilitação: Cuidados Voltados para o Desenvolvimento do Bebê Pré-Termo-uma Abordagem Prática;

 

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Responses

  1. Excelente seu conteúdo, por favor poderia enviar as avaliações e detalhar o papel da TO na UTI p mim, não tenho nada. Material e referencias, cursos pela internet e especialização.

    • Danielle
      Aquele material que citei estão disponíveis nas bibliografias disponibilizadas logo após o texto.
      Pode entrar em contato comigo pelo meu e-mail que posso tirar mais dúvidas, porém muita coisa você vai aprender quando tiver na prática.
      Quando eu estava na faculdade só ouvia e vi inclusive fazer posturação e avaliação. Na prática vi que dava pra fazer muito mais, comecei a ler e participei de congressos e vi que outras terapeutas ia além.
      Podemos trocar informações, me procura pelo e-mail.
      Saúde e sucesso.
      Obrigada pelo comentário.

      • Eliania, obrigada, vou atrás das bibliografias, abraço.

      • Não tem porque Danielle
        Qualquer coisa, estou a disposição.

  2. Gostei, muito do material eu preciso muito de algumas bibliografias sobre o papel do TO na UTI neonatal, sou enfermeira e estou finalizando a pós em T.O Pediátrica, só que não tenho experiencia neste ramo, mas acabamos desenvolvendo muitas dessas práticas. Se puder me ajudar lhe agradeço

  3. Olá, tudo bem? Sou terapeuta ocupacional e atuo em um hospital. Atualmente, estou desenvolvendo um trabalho de ampliação da t.o. Você poderia me enviar testes, artigos sobre t.o em UTIN? joao.victor_3107@hotmail.com obrigado


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